Melhor do que nos filmes
Para quem ama um clichê, Melhor do que nos filmes de Lynn Painter acerta em cheio no romance água com açúcar.
“Melhor do que nos filmes” foi lançado pela Editora Intrínseca em junho de 2023 e logo ganhou uma fama no booktok (comunidade de leitores no Tik Tok). Cheio de referências à cultura pop e aos clássicos filmes de romance, o livro encanta e propõe uma história “água com açúcar” que vale a pena dar uma chance.
O livro conta a história de Elizabeth Buxbaum, uma garota “diferente das outras” por se vestir como nos anos 50 e gostar MUITO de comédias românticas, por isso, sempre teve expectativas altas quanto a viver a sua própria grande história de amor. Assim, quando Michael Young, sua paixão de infância, volta à cidade, ela está decidida que isso é um “sinal” do universo para que eles vivam um romance.
Mas ela vê dificuldade em se aproximar novamente do garoto, apelando para um plano que em sua concepção era infalível. Ela pede para Wesley Bennett, seu vizinho e arqui-inimigo desde a infância, para que a ajude com esse plano, com o objetivo de que Michael a convidasse para o baile de formatura.
No estilo “enemies to lovers”, a história revela o desenvolvimento de uma relação afetiva entre Liz e Wes. Com o plano de conquistar outro garoto, aos poucos, Liz começa a mudar sua percepção de Wes, e perceber que ele não era o garoto desprezível que ela tinha certeza de que ele era.
Eles passam a ser amigos, e como todo clichê, acabam se apaixonando pelo desenrolar do plano. A obra, porém, nos mostra que todas as expectativas de Liz em relação ao romance com Michael estavam erradas, e que a relação que ela sempre sonhou, na verdade, estava sempre bem diante dela.
Sobre os personagens:
Liz é apresentada como essa garota “estranha” e “diferente” só por usar roupas que não são modernas ou comuns, além de ter fé no romance e no amor. A autora acaba fazendo dessa questão algo muito central no livro, sempre apontando que os outros achavam que ela deveria mudar para ser mais igual as outras garotas. Apesar de eu particularmente não gostar dessa característica de protagonista “diferente das outras”, a Liz tem um carisma que compensa essa questão.
Senti que Michael não teve um desenvolvimento bom no livro, sempre as cenas que deveriam nos mostrar um pouco mais sobre ele eram voltadas para o Wes, no fim, fiquei com a impressão de que Michael era só mais um garoto padrão do ensino médio que só liga para as aparências, e tudo que o faria ser um cara legal na verdade eram as expectativas irrealistas de Liz sobre ele.
Wes foi um acerto muito bom, ele não é aquele típico interesse amoroso de romance que é perfeito e está sempre ali para a protagonista de um modo heróico, apesar de Wes ter esses momentos. No fim, a relação entre ele e Liz se mostra lindamente recíproca, e se desenvolve durante o tempo, não como em alguns clichês onde o garoto secretamente sempre foi apaixonado por ela.
A relação construída foi genuína e divertida de ler, perfeita para um romance leve mas com seus momentos de reflexão sobre a vida e o amor.
Terminei esse livro com o coração quentinho e feliz. Para os apaixonados por romances leves e divertidos, “Melhor do que nos livros” é uma ótima leitura.



